Turismo gastronômico

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Este artigo pretende-se discutir o turismo gastronômico, sendo que este foi baseado no capítulo elaborado por mim e pela minha colega Valéria Fedrizzi intitulado “Turismo e gastronomia: a valorização do patrimônio Gastronômico de Campos do Jordão“, no livro “Turismo, Gastronomia e Desenvolvimento na região das Missões – Brasil”, organizado por Rut Friedrich Marquetto; Magna Liane Bergmann e Vanusa Andrea Casarin, que pode ser baixado gratuitamente na internet.

É notório o fortalecimento e crescimento do turismo gastronômico ao redor do mundo, pois como afirma Costa (2012, p. 328), “o turismo gastronômico ainda é responsável por ações outras que fortalecem a atividade turística como: investigar as tradições gastronômicas, publicar livros de gastronomia local, […] outras”, explorando-se a definição de Levi-Strauss (1990), de que cozinhar é verdadeiramente uma linguagem universal[1], que fortalece e cria laços de amizade. Contudo, Gimenes (2010), ao estudar a gastronomia e seus avanços nos últimos anos, explica que a discussão da gastronomia no âmbito do turismo ficou restrita, por muito tempo, à premissa de um serviço essencial para a permanência do visitante. Porém, esta perspectiva alterou-se, principalmente em função da própria ampliação do conceito de patrimônio cultural, que extrapolou a percepção histórico-arquitetônica e incorporou práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas a partir da concepção de patrimônio imaterial.

Diante desta mudança, a gastronomia passa a ser um produto turístico e como tal, sujeito às leis do mercado turístico, onde se evidência o crescente volume de oferta, e em alguns casos, a escassez de sua demanda, porém o turismo gastronômico é considerado um ‘novo turismo’, valorizando o patrimônio gastronômico das cidades visitadas. A gastronomia, na atividade turística transcende apenas e somente a ingestão de alimento, propiciando no caso, do turismo gastronômico, o contato com o outro. Assim, destaca Gândara (2010, 184) “[…] gastronomia regional torna-se um diferencial, que representa a identidade local, ligando o turismo gastronômico ao prazer e à sensação de saciedade adquirida por meio da viagem e da comida”.

Assim, o turismo gastronômico pode ser definido como as ações de viagem, motivadas pelo interesse em experimentar novos sabores, através da alimentação ofertada no núcleo receptor, e destaca-se o consumo da gastronomia regional. Nesse sentido, “a forte relação entre comida e identidade, não é de se estranhar que a comida torna-se um importante agente no mercado do turismo promocional[2]” (RICHARDS, 2003, p. 5). Faz-se necessário ressaltar, entretanto, que ao analisar o segmento turístico, focando-se no turismo gastronômico, dois fatores preponderantes devem ser realçados: os visitantes que realizam esse tipo de turismo, motivados, principalmente pelo apreço ao contato com a cultura local, e os visitantes que demandam a ‘boa vida’, focando o prazer e luxo (GÂNDARA, 2010, p. 187).

Os visitantes turísticos, do primeiro tipo apresentado, relacionam a gastronomia, como pano de fundo, para a valorização do patrimônio cultural, fazendo da mesma, uma experiência sensorial e turística. Com esta mesma compreensão, a de experiência cultural, Gimenes (2010, p. 192), explica que “[…] o indivíduo é capaz de relacionar determinado sabor a uma situação, uma localidade, a uma fase da sua vida e até mesmo a um grupo social”. Assim, criando a vinculação da experiência sensorial (alimento) à experiência cultural, fortalecendo a noção simbólica da prática do turismo gastronômico.

Os visitantes do segundo tipo buscam no turismo gastronômico o luxo, tornando a gastronomia um vetor impulsionador para o ato de viajar, sendo essa modalidade uma variável do turismo gastronômico, cujo nome do francês é: Turismo Gourmet, tendo em sua essência a somatória do prazer gastronômico da alta gastronomia, com a experiência do turismo de luxo, almejados pelas elites sociais. Costa (2012, p. 329) define o Turismo Gourmand ou Turismo Gourmet, como um nicho mercadológico do turismo gastronômico:

Associar o deleite gastronômico com a possibilidade de conhecer outros lugares e culturas acabou resultando numa fórmula tão bem sucedida que deu origem a um novo segmento do mercado turístico gastronômico: o turismo gourmand – ou turismo de alta gastronomia.

Mediante a acirrada concorrência turística, muitas cidades, estão investindo na valorização de seu patrimônio cultural, buscando em muitos casos, a diversificação de seus atrativos turísticos, via valorização do turismo gastronômico no destino, como no caso, do município de Campos do Jordão. Tais atrativos na cidade são operacionalizados, pela valorização dos alimentos encontrados em abundância na região, e ofertados nos diversos restaurantes,  espaços de restauração, hotéis, no catering de eventos, pesca esportiva e outros, como diferencial mercadológico.

No próximo, abordarei um pouco sobre a cidade que resido atualmente, Campos do Jordão, já que ela é um grande exemplo para caracterizar o conteúdo exposto acima!

[1] “Cooking is with language a truly universal form of human activity” (p. 471)

[2] “[…] the strong relationship between food and identity, it is not surprising that food becomes an important place market in tourism promotional” (tradução livre)

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REFERÊNCIAS

COSTA, Ewerton Reubens Coelho. Turismo Gourmand: O luxo e a gastronomia como vetores para o apetite de viajar. Turismo &Sociedade. Curitiba, v. 5, n.1, abril, 2012, p. 310-339.

GÂNDARA, José Manoel Gonçalves. Reflexões sobre o turismo gastronômico na perspectiva da sociedade dos sonhos. In: PANOSSO NETTO, Alexandre; ANSARAH, Marilia Gomes dos Reis (ed.). Segmentação do Mercado Turístico: estudos, produtos e perspectivas. Barueri: Manole, 2009. p. 179-196.

GIMENES, M.H.S.G. Sentidos, sabores e cultura: a gastronomia como experiência sensorial e turística. IN: PANOSSO NETTO, A.; GAETA, C. Turismo de experiência. São Paulo: SENAC, 2010. p.192-202.

RICHARDS, Greg. Gastronomy: an essencial ingrediente in tourism productions and consumption. In: HJALAGER, Anne-Mette; RICHARDS, Greg (edited). Tourism and Gastronomy. London: Routledge, 2003. p. 3-21.


Bruna Mendes

BRUNA MENDES

Mestre em Hospitalidade, bacharel em Turismo e Licenciada em Pedagogia, mas acima de tudo, apaixonada pela cultura, turismo e gastronomia.

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