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Gastronomia indígena para todos

jul 14, 2017 | Brasileira, Cozinhas, Notícias

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Moqueca, peixe assado na folha de bananeira, arroz carreteiro… alguma dessas delícias já passaram pela sua mesa? Provavelmente! Segundo a chef indígena brasileira Letícia Kalymaracaya, esses pratos tipicamente brasileiros foram criados por índios. Nascida na tribo Terena, a índia estará presente no Festival Fartura – Comidas do Brasil, evento gastronômico que roda os estados brasileiros em busca de ingredientes típicos e boas histórias, que acontece em São Paulo nos dias 15 e 16 de julho, no Jockey Club. Em entrevista à Marie Claire, Kalymaracaya, como prefere ser chamada, falou sobre sua infância na tribo, como decidiu seguir a vida na gastronomia e as dificuldades que encontrou pelo caminho.

Kalymaracaya é de Taunay, município de Aquidauana (Mato Grosso do Sul), mas aos três anos foi morar na cidade grande. “Saímos em busca de novas perspectivas de vida, educação e saúde, coisas que infelizmente faltam na aldeia”, conta. Mesmo assim, sua mãe a levava de volta sempre, pois não queria que os costumes e a cultura indígena se perdessem pelo caminho. Foi nessa época que começou a ajudar a avó na cozinha. “Queria aprender, pois achava aquilo tudo muito bonito”, diz. No cardápio da família, muita carne de caça, frutas silvestres, óleo de bocaiuva, peixe e mato: “Hoje chamam de pancs”.

Mas foi só na faculdade de turismo que percebeu sua real vocação. “Via chefs famosos na TV, mas nenhum deles indígena. Isso tinha que mudar”. Obstinada, se formou em gastronomia em um curso técnico de cozinha em Campo Grande e saiu em busca de parceria para o seu projeto de disseminar a comida indígena pelo Brasil. “Contei minha história por mensagem para o chef Paulo Machado e dois dias depois ele me respondeu, dizendo que queria conversar”. Apenas um ano depois, em 2015, o encontro aconteceu. A partir daí, sua vida mudou.

Kalymaracaya sente o maior orgulho em dizer que a dobradinha, primeiro prato que preparou ao lado da avó Francisca, rendeu bons frutos. “Todos que falam em gastronomia indígena lembram de mim”, diz. Mas a índia ainda tem muito a ensinar. Aos 36 anos, participa de vários eventos pelo Brasil e já palestrou na Bolívia: “A população não conhece nossa cultura, receitas, vestimentas e adornos”. Quando apresenta os pratos, conta que as pessoas sempre se interessam pela carne de caça e se surpreendem ao saber que, pelo menos na sua tribo, ela não é mais consumida. “Preferimos comprar carne no mercado, não queremos a extinção dos nossos animais”, diz. “O índio respeita demais a terra”. Nesses momentos, ela oferece frutos e verduras típicas do seu povo como a taioba, o caruru, a bocaiúva, a guavira, a araticum ou o melão croá.


Preconceito

Mulher, chef de cozinha, índia. Kalymaracaya garante que é bem recebida por onde passa, exceto em seu próprio estado. “Os fazendeiros brigam por terra com a minha tribo. Aqui o preconceito é grande”, conta. É por essas e outras que ela também é Secretária do Conselho de Segurança Indígena de Campo Grande e é pós graduanda em História e Cultura Indígena e Afro-brasileira. “Quero ajudar meus patrícios”, diz.

Planos para o futuro ela tem vários. Pretende lançar um livro e, quem sabe, abrir um restaurante. “Primeiro quero que as pessoas conheçam bem a minha cultura na cozinha”, fala. Quando indagada a respeito de qual cardápio escolheria, diz que seria uma boa mistura das gastronomia local com a indígena. “Dá pra servir o caribé ou um cozido de mandioca com carne seca, antigamente feito com carne de caça”. E a lista não acaba aí: tem arroz carreteiro, arroz com feijão-verde, omelete de ema com taioba…

 

Por: Cristiane Senna
Fonte:
Revista Marie Claire

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1 Comentário

  1. Ótima matéria. É muito bom ver profissionais tão dedicados à gastronomia indígena, ainda mais quando se trata de uma pessoa nativa, inserida no contexto. No meu processo de pesquisa sobre a culinária indígena percebo o quão importante é termos pessoas assim, que levem a culinária indígenas para outros povos conhecê-la. É uma pena que ainda exista preconceito, mas acredito que ainda superaremos esses problemas.

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