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Cora Coralina: alma de açúcar, mãos com poesia

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No poema “Todas as vidas”, ela declara: “vive em mim a mulher cozinheira/Pimenta e cebola/Quitute bem feito/Panela de barro/Taipa de lenha/Cozinha antiga. Aos 76 anos Cora Coralina extravasou sua paixão por escrever ao publicar seu primeiro livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais.

Alma de açúcar, mãos com poesia. Este trecho do “Poema com Açúcar”, de Heitor Rosa, traduz a sensibilidade da doceira poetisa Cora Coralina que compreendeu, e compartilhou, as angústias e alegrias da mulher de qualquer tempo. Com sabedoria, escreveu sem rodeios e sem pestanejar palavras inteiras ao invés de meias-palavras, verdades completas no lugar de meia-verdade. Cora, de corajosa, versou sobre a essência da alma feminina, “renovadora e reveladora do mundo”, como escreve em “Mãe”. Também deu voz aos marginalizados, aos humildes, falou sobre família, relacionamentos, educação, filhos, sonhos e amor.

Cora Coralina deixou como legado diversas receitas tradicionais: doces de frutas (laranja, figo, mamão, etc), bolos, entre outros.

Para saborear Cora, selecionamos a poesia Antiguidades, onde a autora relembra o bolo da infância.

Antiguidades

Quando era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.

Era um bolo econômico,
Como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(por sinal que muito ruim)

Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo que não me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
Cortava aquele bolo
Com importância.
Com atenção. Seriamente.

Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro (…).

Trecho do livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais.

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Biografia de Cora Coralina

Cora Coralina (1889-1985) foi uma poetisa e contista brasileira, responsável por belos poemas. Foi elogiada por Carlos Drummond de Andrade.

Nasceu na cidade de Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Seu nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Tornou-se doceira, ofício que exerceu até os últimos dias de sua vida. Famosos eram os seus doces de abóbora e figo.

Cora Coralina já escrevia poemas em 1903 e chegou a publicá-los no jornal de poemas femininos “A Rosa”, em 1908. Em 1910, foi publicado o seu conto “Tragédia na Roça” no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”, usando o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911, Fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, com quem teve seis filhos. Foi convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas é impedida pelo seu marido.

Já em São Paulo, em 1934, trabalhou como vendedora de livros na editora José Olímpio, onde lançou seu primeiro livro, em 1965, quando tinha 76 anos, “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Em 1976, é lançado o livro “Meu Livro de Cordel” pela editora Goiana. Mas o interesse do grande público é despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980.

Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG e foi eleita com o “Prêmio Juca Pato” da União Brasileira dos Escritores, como intelectual do ano de 1983.

Cora Coralina faleceu em Goiânia, no dia 10 de abril de 1985.

 

Fonte: eBiografia

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