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As mãos de um cozinheiro

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A melhor ferramenta de trabalho que pode ter um cozinheiro são as mãos. As mãos são reflexos do pensar que gera o agir do imaginário. Aquele ilusório requerido através do fruto da imaginação e do sentimento. O abstrato que se positiva pelo ato de cozinhar e se transforma em cheiros, gostos, sabores e aromas que nos remetem a tão boas e gostosas sensações e lembranças. As mãos que se sujam para limpar. Mãos que fedidas ficam para perfumar, queimam-se para não deixar queimar e se estragam para belo surgir! Mãos que trabalham com o feio, o rústico, o cru, para criar o encantador, o delicado e o comível.

As mãos são norteadores da transformação. Quando ungidas pelo DOM nato e jeitosas são com o hábil provido pela prática do exercício de cozinhar reverberam a mágica da comunicação.

Comunicar é sobreviver! Alimentar-se é um elo entre a poesia e arte da sobrevivência. Comunicar é sentir a gratidão do organismo pela consciência da satisfação, no sentido de satisfazer de mais um pouco de tempo para a existência do ser biológico. Pois, assim sendo conseguimos desfrutar um pouco mais do ser alma, do ser sentir, do ser consciência e pensamento. Ingredientes que concebem a percepção do existir.

Viva os dedos, as palmas e as costas das mãos! Viva o privilégio da arte gastronômica gerida pelos artistas cozinheiros.

Claro, que do festejo surgi também o não comemorativo. Pois, o aspecto financeiro e comercial que contribui hoje tão fortemente para o desenvolvimento e evolução da culinária e gastronomia através dos restaurantes e universidades é verminado por ocultar, justamente, aquilo que também não se vê! A mística contida no fazer, comer e confraternizar em torno da refeição. Já experimentou diversas comidas que aparentemente tinham o mesmo gosto? Comidas que aparentemente são deliciosíssimas, mas vazias são por não serem temperadas de energia positiva, cuidado e respeito pelo fim. O fim no sentido de que para que serve. Pois, o rentável é preponderante e prioridade e não mais a qualidade do molho. Hoje tudo se serve e nada se come! Só se ingere. Consomem-se com mordidas, goles e deglutição.

O servir é desprovido de troca ou recompensa. Originado pela alegria da partilha do comum e da igualdade. Independente da riqueza do que se oferta e contida no valor financeiro dos alimentos, louças, talheres e taças. Servir é sorrir e desfrutar da alegria de ali estar justamente com aquelas pessoas, com aquelas comidas, beber aquelas bebidas e ali estar. Muito menos importa de fato do que realmente tudo é feito. Sobressalente nasce a forma de como é feito. Gastar no detalhe, na atenção e no doar.

Árduo mesmo é prover esta ideia em consciências tão desprovidas e tristemente inexperientes dos consumidores de gastronomia de tão ricas importâncias. E convencer profissionais de mãos ungidas a se inserirem e contribuírem com o mercado produtivo de culinária à encontrarem apertos de mãos que não os façam passar por tantos apertos assim e abafar os talentos imbuídos no DOM deles. Contribuir. Entender o quão relevante é através do trabalho profissional e consciente possibilitar que o abstraído do encontro entre pessoas em torno da culinária e gastronomia possa revelado ser pela mágica plenitude do momento construído por pessoas, comidas, bebidas, sobremesas, cafés e mãos. Muitas mãos.


Davi Furigo de Melo

DAVI FURIGO DE MELO

Chef e professor. Graduado em Gastronomia no Senac Águas de São Pedro. Proprietário da Paladares, em Campinas/SP.

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