Campos do Jordão e a alimentação: a truta

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Este artigo pretende abordar Campos do Jordão e sua relação com a truta, sendo que este também foi baseado no capítulo elaborado por mim e pela minha colega Valéria Fedrizzi intitulado “Turismo e gastronomia: a valorização do patrimônio Gastronômico de Campos do Jordão”, no livro “Turismo, Gastronomia e Desenvolvimento na região das Missões – Brasil”, organizado por Rut Friedrich Marquetto; Magna Liane Bergmann e Vanusa Andrea Casarin, que pode ser baixado gratuitamente na internet.

Como comentei no artigo anterior, neste explorarei um pouco mais a temática da truta, já que essa é considerada um dos alimentos emblemáticos da cidade de Campos do Jordão. Destacam-se os criadores de trutas, sendo que os associados à Associação Brasileira de Truticultores (ABRAT) e credenciados, existem três: ProAcqua (Keber Fleming), Pesqueiro Truta Azul e Estação Experimental de Salmonicultura ‘Ascânio de Faria’, Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão (UPD), e não associado existe, a Truticultura da Cachoeirinha[1]. O Pesqueiro Truta Azul e a Truticultura da Cachoeirinha, dispõem de espaços para a pesca esportiva e espaços gastronômicos, espaços que impulsionam o turismo, no fortalecimento da prática esportiva relacionada ao turismo gastronômico, com a preparação de pratos, com peixes abatidos na hora pelos turistas.

A truta arco-íris (Oncorhynchusmykiss[2]) espécie de peixe de água doce e fria, possui elevado valor de comercialização e domesticação. Existem muitos subprodutos da cultura deste peixe, que vão desde produtos alimentares, vendidos em supermercados, até o repovoamento de rios e lagos para pescarias recreativas, sendo que “a comercialização de trutas no Brasil é feita principalmente nas formas eviscerada congelada, fresca resfriada, eviscerada resfriada, viva (em pesqueiros), filetada congelada, defumada e pré-cozida”. (SATO, TABATA e TAKAHASHI, 2011, p. 73).

A truta é originaria da América do Norte, sendo introduzida no Brasil, “[…] em 1949, por iniciativa do Ministério da Agricultura, através de ovos embrionados procedentes da Dinamarca” (CNPq, 2001). A introdução dessa cultura no Brasil realizou-se através dos estudos pioneiros, de Ascânio de Faria[3] (1903-1987), e na década de 1970, foi criada a primeira Truticultura comercial em Campos do Jordão, que recebeu seu nome, em homenagem aos seus esforços.

Enfim, a Truticultura em Campos do Jordão, associa-se ao turismo e à cadeia de produção econômica, de maneira estratégica, agregando valor, ao patrimônio cultural da cidade, através da pesca esportiva e gastronomia, baseada nos diversos pratos servidos nos inúmeros estabelecimentos de restauração. O turismo gastronômico concretiza-se em Campos do Jordão pelo alto padrão gastronômico instalado nesses lugares de restauração, pela qualidade da alimentação fornecida, segundo Camargo (2003, p. 24), quando trata do alimentar comercial, “[…] um padrão gastronômico se instala em determinado lugar quando a qualidade da alimentação […] é de qualidade superior aquela que se realiza em ambientes domésticos, […] chefs“. Nesse cenários os ambientes (restaurantes, bares e similares), contribuem para a prática da atividade turística, na perspectiva do turismo gastronômico, aliado a ideia de valorização do patrimônio gastronômico de Campos do Jordão.

Muitos restaurantes incorporam a truta arco-íris em seus cardápios, e dessa maneira, valorizam o patrimônio gastronômico da cidade, ainda reforçam essa ideia, quando a truta é acrescida do pinhão, variando-se as suas formas como: molho, purê, musseline e pesto, farofa e outros preparos. O pinhão é proveniente das araucárias, sendo que sua colheita, tradicionalmente, ocorre entre abril e junho, podendo ser consumido como uma entrada ou incorporado aos pratos principais como exposto, além de sobremesas. Sua importância local é ainda evidenciada pela Festa do Pinhão, criada há anos para homenagear este insumo.

Para o próximo mês, explorarei um pouco sobre o Pinhão e sua relação com a gastronomia de diversas localidades, como Campos do Jordão, mas também Urubici. Até a próxima!

[1] Disponível em: <http://truticultura.blogspot.com.br/p/mapa.html>. Acesso em: 29 de nov 2016.

[2] OncorhynchusmykissWalbaum, 1792 [Salmonidae]. Nomes: Rainbowtrout (ingles), Truitearc-en-cielfrancês), Trucha arco Iris (espanhol). Disponível em: <http://www.fao.org/fishery/culturedspecies/Oncorhynchus_mykiss/en>. Acesso em: 28 de nov 2016.

[3] Ascânio de Faria era filho de Paulo e Rita Torres de Faria, tendo nascido em Itaocara, RJ, no dia 25 de julho de 1903 e falecido na cidade do Rio de Janeiro em 21 de março de 1987. Ascânio publicou muitos artigos de divulgação sobre criação de trutas, principalmente nas revistas “Seleções Agrícolas” (1948 a 1953) e “Revista Nacional da Pesca” (1969 a 1976). Outros artigos seus se referem à criação de carpas e outras espécies, indústria pesqueira, pesca esportiva, entrepostos de pesca, etc, e seus trabalhos científicos apareceram na “Revista do Departamento Nacional de Produção Animal” (1934-1937), “A Voz do Mar” (1935-1937), “Revista de Caça e Pesca do Brasil” (1945), “Boletim do Ministério da Agricultura” (1942) e em folhetos editados pela Divisão de Caça e Pesca (NOMURA, 1990).

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REFERÊNCIAS

CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. Os domínios da hospitalidade. In: DENCKER, Ada de Freitas Maneti et al. Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003, p. 61-71.

CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLOGICO – CNPq. Plataforma do Agronegócio da Truticultura. Brasília: CNPq/DPA/MAPA. 2001. (Relatório de pesquisa).

SATO, Geni Satiko; TABATA, Yara Aiko; TAKAHASHI, Neuza Sumiko. Truta de Campos do Jordão, valorização do produto local através da indicação geográfica do Turismo e da gastronomia. Informações Econômicas, v. 41, n. 3, 2011, p. 68-77.

 

Foto: Portal NetCampos


Bruna Mendes

BRUNA MENDES

Mestre em Hospitalidade, bacharel em Turismo e Licenciada em Pedagogia, mas acima de tudo, apaixonada pela cultura, turismo e gastronomia.

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